A Apple tenta restringir pagamentos de terceiros na App Store em meio à disputa com a Epic.

  • A Apple está tentando convencer a Suprema Corte dos EUA a bloquear a ordem que a obriga a permitir pagamentos externos em aplicativos iOS, sem cobrar por eles.
  • Tribunais na Califórnia e no Nono Circuito consideraram diversas práticas da App Store anticoncorrenciais e declararam a Apple em desacato civil.
  • A empresa deseja evitar mudanças estruturais em suas taxas enquanto determina qual comissão, se houver, poderá cobrar por compras feitas com métodos de pagamento alternativos.
  • A batalha judicial tem um impacto direto no futuro da App Store na Europa também, onde a Lei dos Mercados Digitais está a pressionar para abrir o ecossistema.

Pagamentos externos da Apple na App Store

A disputa entre Apple e Epic Games para o controle do Pagamentos externos na App Store Esta é uma fase particularmente delicada para a empresa de Cupertino. Após diversas derrotas parciais nos tribunais americanos, a Apple está tomando medidas para impedir a implementação imediata das mudanças determinadas judicialmente, que exigem maior flexibilidade em seu sistema de pagamentos.

A gigante da tecnologia está tentando ganhar fôlego enquanto decide quais taxas, se houver, poderá cobrar por compras feitas por usuários fora de seu sistema de pagamento integrado. Essa estratégia, focada em conter a links para métodos de pagamento alternativos Dentro dos aplicativos, isso tem implicações que vão além dos Estados Unidos e estão sendo acompanhadas de perto na Europa.

A Apple recorre ao Supremo Tribunal para impedir pagamentos externos.

A Apple entrou com um pedido de... Suprema Corte dos Estados Unidos A decisão que obrigava a empresa a permitir links para sistemas de pagamento externos em seus aplicativos iOS foi suspensa. Essa decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, que em 2021 determinou que a empresa deveria abrir caminho para métodos de pagamento alternativos e deixar de aplicar sua comissão tradicional a essas transações.

A decisão foi revista pelo Tribunal de Apelações do Nono Circuito, que em grande parte manteve a decisão do tribunal inferior. Os juízes concluíram que algumas das práticas da Apple na App Store tinham um natureza claramente anticoncorrencialespecialmente no que diz respeito à obrigação de usar o sistema de pagamento deles e à proibição de qualquer link ou referência a cobranças externas.

A Apple respondeu recorrendo e tentando reabrir o caso, mas o Nono Circuito se recusou a conceder uma nova audiência. Posteriormente, a empresa recorreu à Suprema Corte, que, no início de 2024, decidiu não analisar o mérito do caso, mantendo a exigência de fornecer links externos dentro dos aplicativos.

Esse contexto jurídico explica a nova estratégia da Apple: agora, a empresa não contesta tanto o princípio da decisão, mas sim o momento e a forma como ela deve ser implementada. Em sua petição, a empresa argumenta que implementar as mudanças necessárias agora poderia afetar seriamente seu modelo de negóciose exige que as medidas sejam suspensas enquanto o Supremo Tribunal decide se volta ou não a envolver-se no litígio.

Um confronto direto com a Epic Games e as comissões da App Store.

A origem da batalha atual remonta a agosto de 2020, quando A Epic Games introduziu isso no Fortnite Um sistema de pagamento direto para contornar a comissão que a Apple cobra por compras dentro do aplicativo. A resposta da Apple foi remover o jogo da App Store, desencadeando uma longa série de processos judiciais cruzados e acusações de abuso de posição dominante no mercado.

Ao longo dos anos, os tribunais restringiram o escopo da disputa. Uma das principais questões é se a Apple pode continuar a cobrar uma taxa quando um desenvolvedor fornece um link dentro do aplicativo para um site ou outro ambiente onde o usuário conclui a compra. Os juízes indicaram que, em qualquer caso, apenas uma comissão baseada em custos "genuínos e razoavelmente necessários" coordenar esses vínculos, e nada mais.

Esse esclarecimento abriu um cenário complexo: os juízes permitem que a Apple recupere parte da receita, desde que justifique os custos associados à manutenção da infraestrutura e segurança da App Store, mas rejeitam o uso dessa via para restabelecer secretamente as comissões tradicionais de até 30%.

A Epic argumenta que, com a interpretação atual da decisão, a Apple só poderia impor uma comissão mínima em compras externasEssa porcentagem está muito longe da que historicamente se aplicava a desenvolvedores de todos os portes. Segundo o criador de Fortnite, qualquer tentativa de ultrapassar esse limite viola o espírito da ordem judicial.

Por sua vez, a Apple insiste que suas taxas são essenciais para manter a plataforma, financiar ferramentas de desenvolvimento e garantir uma experiência controlada para usuários de iPhone e iPad. A empresa argumenta que o ecossistema não pode ser sustentado sem alguma forma de receita associada às transações, mesmo que estas ocorram. fora do sistema de pagamento da App Store.

Desacato civil e multas por tentarem economizar seus "impostos"

As tensões aumentaram quando, após derrotas em instâncias anteriores, a Apple decidiu aplicar um 27% de sobretaxa para compras feitas por meio de links externos originados de aplicativos iOS. Ou seja, permitia a inclusão do link, mas estabelecia uma taxa quase equivalente à comissão tradicional, o que, na prática, desestimulava os desenvolvedores a usar métodos de pagamento alternativos. Essa tentativa de manter o Taxas da App Store Foi um dos fatores que motivaram a reação judicial.

Ao analisar essa medida, o tribunal federal da Califórnia concluiu que a Apple estava violando o espírito da ordem de 2021 e ainda tentava manter um controle quase total sobre a receita de seus aplicativos. O Tribunal de Apelações do Nono Circuito confirmou essa interpretação e declarou a empresa culpada de violar a lei. desacato civil por não cumprir a ordem judicial.

A partir daí, abriu-se uma segunda frente: a das sanções econômicas por essa afronta. O sistema judiciário americano interpretou a tentativa de cobrar um "imposto" de 27% sobre compras externas como uma forma de burlar a decisão anterior, que buscava justamente dar aos desenvolvedores e usuários mais flexibilidade na escolha da forma de pagamento.

A luta não se limitou aos Estados Unidos. Em julho de 2025, o Comissão Europeia Bruxelas impôs uma multa de 500 milhões de euros à Apple, principalmente devido a práticas relacionadas à forma como a empresa restringiu ou penalizou links externos e opções de pagamento alternativas. Bruxelas considerou que essas políticas restringiram indevidamente a concorrência no mercado de aplicativos móveis.

Diante da ameaça de novas sanções e multas diárias que poderiam chegar a 50 milhões de euros, a Apple flexibilizou algumas de suas regras e anunciou que passaria a adotar uma política de privacidade mais rigorosa. Permitir links externos irrestritos na União Europeia. No entanto, a questão das taxas associadas a essas conexões continua sendo uma fonte de atrito tanto com os reguladores europeus quanto com os tribunais dos EUA.

Plano da Apple: congelar mudanças e adiar novos preços.

Diante dessa situação, a Apple elaborou uma estratégia para adiar a implementação de uma nova estrutura de taxas até que a Suprema Corte dos EUA se pronuncie, caso decida intervir. A empresa solicitou à Corte, em 3 de abril, que Tribunal de Apelações do Nono Circuito Isso interromperia o plano que permitiria ao Distrito Norte da Califórnia estabelecer uma taxa "razoável" para compras feitas por meio de links em aplicativos.

A principal preocupação da Apple é que o tribunal distrital estabeleça uma comissão específica e que, posteriormente, a Suprema Corte altere sua decisão ou até mesmo a revogue por completo. Nesse cenário, a empresa de Cupertino teme ser obrigada a pagar oscilações em sua estrutura tarifária, com o consequente impacto na relação com desenvolvedores, usuários e investidores.

Portanto, em sua solicitação, a Apple deixa claro que não deseja fazer alterações significativas na estrutura de taxas da App Store até que uma resolução final seja alcançada. Enquanto isso, propõe manter o sistema atual, que permite a inclusão de links para compras externas sem custos adicionais, embora com nuances e restrições que continuam gerando debate.

A ideia é adiar um confronto direto sobre os níveis de tarifas e preservar alguma margem para negociação. Se o Nono Circuito aprovar o plano, A discussão sobre as taxas seria suspensa. até que o Supremo Tribunal Federal tome uma decisão sobre se admite ou não o caso e, em caso afirmativo, sobre o mérito da causa.

No entanto, se o tribunal de apelações rejeitar a proposta da Apple, o tribunal distrital começará a calcular essas taxas ao mesmo tempo em que a empresa apresentar seu recurso à Suprema Corte. Em qualquer um dos cenários, a Epic Games se opôs veementemente a essa manobra, acreditando que se trata apenas de uma tentativa de ganhar tempo e manter uma estrutura de poder na App Store que já foi contestada judicialmente.

Os argumentos legais da Apple e o papel da Epic Games

Do ponto de vista jurídico, a Apple argumenta que nunca deveria ter sido considerada culpada de desacato porque, segundo sua interpretação, o A ordem judicial não mencionou explicitamente as comissões. que ele poderia ou não cobrar. Em sua opinião, os juízes foram além do que o texto original estabelecia ao criticá-lo pela sobretaxa de 27% sobre links externos.

Além disso, a empresa considera excessivo que as medidas decorrentes do caso se apliquem a todos os desenvolvedores presentes na App Store dos EUA e não apenas àqueles diretamente ligados à Epic Games. A Apple argumenta que a ordem deveria ter um escopo mais limitado e que estendê-la a todo o ecossistema iOS é uma interpretação que, na prática, reconfigura o mercado de aplicativos sem um mandato suficientemente claro.

A Epic Games, por sua vez, posicionou-se contra a mais recente ofensiva legal da Apple e contestou o pedido de adiamento da execução da sentença. A empresa de videogames insiste que o objetivo final da Apple é manter sua capacidade de definir termos e comissões na App Store pelo maior tempo possível, mesmo que os tribunais já tenham alertado para os riscos à concorrência.

Vale lembrar que, em 2024, tanto a Apple quanto a Epic pediram à Suprema Corte que revisasse vários aspectos do litígio, e em ambos os casos o pedido foi rejeitado. O próprio histórico recente da Suprema Corte sugere que... agora há chances de que aceite o recurso da Apple. Não são particularmente elevadas, embora a empresa esteja confiante de que o contexto de desobediência civil possa motivar uma reconsideração.

Paralelamente a toda essa batalha judicial, ocorreu um gesto simbólico, porém significativo: o retorno do Fortnite aos iPhones nos Estados Unidos, após vários anos de ausência na App Store. Embora essa medida pareça ter aproximado as duas empresas, a disputa subjacente, centrada em pagamentos e comissões externas, permanece completamente sem solução.

Potencial impacto em Espanha e na regulamentação europeia

Embora o caso esteja sendo julgado em tribunais dos EUA, suas consequências estão sendo acompanhadas de perto na Espanha e no resto da Europa. Lei dos Mercados Digitais (DMA), em vigor desde março de 2024, já obriga plataformas como a Apple a permitir lojas de aplicativos de terceiros já facilita métodos de pagamento alternativos dentro de seu ecossistema.

No contexto europeu, a discussão não se limita a saber se os desenvolvedores podem ou não incluir links para seus sites ou para processadores de pagamento externos, mas também abrange os limites que a Apple pode impor em termos de taxas, requisitos técnicos ou entraves administrativos. A experiência dos EUA com a Epic oferece a Bruxelas e às autoridades nacionais uma perspectiva valiosa. precedente prático sobre como a abertura dos sistemas de pagamento é interpretada na realidade.

Para os falantes de espanhol, o resultado dessa disputa poderá se traduzir, a médio prazo, em mais opções de pagamento no aplicativo E, potencialmente, isso poderia levar a preços um pouco mais competitivos se os desenvolvedores parassem de pagar comissões tão altas. No entanto, também poderia resultar em novos modelos de assinatura, taxas adicionais ou serviços premium fora da App Store, caso a Apple tente compensar a redução em sua porcentagem direta por outros meios.

Para os desenvolvedores europeus, especialmente os menores ou estúdios independentes, a abertura de pagamentos externos representa uma oportunidade de melhorar as margens de lucro e ter mais controle sobre o relacionamento com os clientes. No entanto, muitos ainda dependem do visibilidade proporcionada pela App Store E temem que a Apple utilize outros mecanismos, como alterações na promoção editorial ou na busca interna, para favorecer aqueles que continuam a usar seu sistema de pagamento nativo.

A Comissão Europeia, por sua vez, deixou claro com a multa de 500 milhões de euros que monitorará de perto qualquer tentativa da Apple de impor "taxas" ocultas sobre links externos. Nesse contexto, a resolução do caso Apple-Epic nos Estados Unidos pode definir o tom para futuras inspeções, sanções e diálogos regulatórios tanto em Bruxelas quanto em países como a Espanha, onde as autoridades de concorrência também monitoram a concorrência. principais operadores digitais.

Todo esse arcabouço legal e regulatório pinta um quadro no qual a Apple está tentando, por todos os meios à sua disposição, impedir ou pelo menos retardar a implementação completa de pagamentos de terceiros na App Store. Tribunais dos EUA, a Comissão Europeia e empresas como a Epic Games estão pressionando na direção oposta, buscando reduzir o controle da empresa sobre as transações dentro do iOS. O resultado desse conflito determinará até que ponto a Apple poderá continuar ditando as regras do jogo em sua loja de aplicativos e quais benefícios reais desenvolvedores e usuários obterão, tanto nos Estados Unidos quanto na Espanha e no resto da Europa.

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